quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Separando a erva dos prados



"Separando a erva dos prados, aspirando o seu raro aroma,
Dela reclamo a espiritualidade,
Exijo o mais íntimo e abundante companheirismo entre os
homens,
Peço que ergam as suas folhas as palavras, atos, seres,
Esses de límpidos ares, rudes, solares, frescos, férteis,
Esses que traçam o seu próprio caminho, eretos e livres
avançando, conduzindo e não conduzidos,
Esses de indomável audácia, de doce e veemente carne sem
mácula,
Esses que olham de frente, imperturbáveis, o rosto dos presidentes
e governadores como se dissessem Quem és tú?
Esses de natural paixão, simples, nunca constrangidos, insubmissos,
Esses de dentro da América."
Walt Whitman

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

B. Brecht - 1929



"Tal como fazemos a nossa cama nela nos deitamos
Ninguém nos virá aconchegar.

Nada podeis fazer por um cadáver
Nunca se pode fazer nada por ninguém."

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Debate pela liberdade...

Quem é o juiz? O juiz é Deus!
E porque é Ele Deus? Ele decide quem ganha ou perde; não o meu oponente!
Quem é o teu oponente? Não existe!
Porque não existe? É apenas uma voz discordante da minha verdade!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Subjetividade Humana...


"Mas é igualmente curteza de vistas eliminar fantasias que parecem não se adaptar ao universo físico. As fantasias e, na realidade, o todo da subjetividade humana não são menos parte do mundo do que as pulgas, as pedras e os quarks, e não há qualquer razão para sacrificarmos o primeiro aspeto a fim de protegermos o segundo."

Feyerabend, P. p. 321

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Amigo Improvável...


Um encontro pouco comum entre o amor e a ternura,
apenas isso.
Ela tinha nome de flor (margueritte)
e vivia entre as palavras.
Adjetivos de grandes caules,
verbos que cresciam como ervas,
e alguns deles vingavam.
Passou suavemente por mim e
entrou no meu coração.
As histórias de amor podem ser mais do que amor.
Por vezes nem sequer há «amo-te», mas existe amor.
Um encontro pouco comum.
Conhecia-a por acaso num banco do parque.
Não ocupava muito espaço
era um pouco maior do que um pombo cheio de penas.
Estava rodeada de nomes comuns como o meu.
Deu-me um livro e depois outro
e as páginas iluminaram-se à minha frente.
Não morras agora, tens muito tempo.
Espera.
Ainda não chegou a hora minha flor.
Dá-me um pouco mais de ti.
Dá-me um pouco mais da tua vida.
Espera.
As histórias de amor podem ser mais do que amor.
Por vezes nem sequer há «amo-te»,
mas existe amor.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Paul Feyerabend (Contra o Método)



"Numa análise mais fina, descobrimos até que a ciência não conhece «fatos nus», mas que os fatos que entram no nosso conhecimento são já vistos de certa maneira e, por isso, essencialmente ideacionais. Sendo assim, a história da ciência seria tão complexa e caótica, cheia de erros, e divertida com as ideias que contém, e estas ideias seriam por sua vez tão complexas, caóticas, cheias de erros e divertidas como os espiritos dos que as inventaram. Em contrapartida, uma pequena lavagem ao cérebro contribuiria em muito para tornar a história da ciência mais enfadonha, mais simples, mais uniforme, mais «objetiva» e mais facilmente abordável em termos de regras estritas e inalteráveis."

P. 25

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Paisagem



"Cada paisagem da minha vida, por ser não um rebanho errante de sensações ou um sistema de juízos efémeros, mas segmento de carne durável do mundo, está prenhe, como visível, de muitas outras visões além da minha, e o visível que vejo, de que falo, mesmo que não seja o monte Himeto ou os plátanos de Delfos, é o mesmo, numericamente, que viam ou de que falavam Platão e Aristóteles."

M. Merleau-Ponty, p. 121

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Perceções



Perceções novas substituem as perceções antigas, e mesmo emoções novas substituem as de outrora, mas essa renovação só diz respeito ao conteúdo da nossa experiência e não à sua estrutura; o tempo impessoal continua a se escoar, mas o tempo pessoal está preso.

M. Merleau-Ponty, p. 123

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Ausência...



Só compreendemos a ausência ou a morte de um amigo no momento em que esperamos dele uma resposta e sentimos que ela não existirá mais; por isso, primeiramente evitamos interrogar para não ter de perceber esse silêncio; nós nos desviamos das regiões da nossa vida em que poderíamos encontrar esse nada, mas isso significa que nós as adivinhamos.

Maurice Merleau-Ponty, p. 120 

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Grande...


"Podemos encarar a perspectiva de possibilidades, de probabilidades e de impossibilidades, mas a experiência diz-nos que o impossível pode acontecer, que o provável pode nunca acontecer e, acima de tudo, que podem aparecer novas realidades, completamente impensadas... Nada de grande, nada de fundamental foi alguma vez previsto, nem as suas origens puderam ser retrospectivamente compreendidas."

Karl Jaspers