terça-feira, 21 de setembro de 2010

Mãe


"Diz-se que o luto, com o seu trabalho progressivo, apaga lentamente a dor. Eu não podia nem posso acreditar nisso, porque, para mim, o Tempo elimina a emoção da perda (não choro), é tudo. Quanto ao resto, tudo ficou imóvel. Porque aquilo que eu perdi não é uma Figura (a Mãe), mas um ser; e não um ser, mas uma qualidade (uma alma): não o indispensável, mas o insubstituível. Eu podia viver sem Mãe (todos nós podemos mais cedo ou mais tarde); mas a vida que me restava seria certamente e até ao fim inqualificável (sem qualidade)."

Roland Barthes, p. 86

domingo, 12 de setembro de 2010

Amsterdam

Gaston Bachelard - A terra e os Devaneios do Repouso (vou postando...)



Gaston Bachelard nasceu a 27 de Junho de 1884, em Bar-sur-Aube, França e faleceu a 16 de outubro de 1962, em Paris, França. A sua escrita remete-nos para toda a interioridade do ser, das profundezas do sonho, às profundezas orgânicas, fundindo-as. A sua leitura intensifica a natureza humana em toda a sua plenitude. A leitura de Bachelard só é entendida com base na pureza individual, desprendam-se por momentos do vosso amor-próprio e bebam-no, ele é um mensageiro.

"Considerado em seus aspectos humanos, o repouso é dominado necessariamente por um psiquismo «involutivo»."

p. 4

"Mas o que a educação não sabe fazer, a imaginação realiza seja como for."

p. 8

"Como pode esse cepticismo dos olhos ter tantos profetas quando o mundo é tão belo, tão profundamente belo, tão belo em suas profundezas e matérias?"

p. 9

"Ao instruir-se sobre um tipo de experiência, o filósofo torna-se inerte para outros tipos de experiência. Às vezes espíritos muito lúcidos encerram-se assim em sua lucidez e negam os múltiplos vislumbres formados em zonas psíquicas mais tenebrosas. Com relação ao problema que nos ocupa, percebe-se bem que uma teoria do conhecimento do real que se desinteressa dos valores oníricos se priva de alguns dos interesses que impelem ao conhecimento."

p. 10

"Decerto a felicidade é expansiva, tem necessidade de expansão. Mas também tem necessidade de concentração, de intimidade. Assim, quando a perdemos, quando a vida proporcionou «maus sonhos», sentimos saudade da intimidade de felicidade perdida."

p. 13

"A minha intenção ao enviar «A vida de Flexlein» à biblioteca de Lübeck é justamente a de revelar ao mundo inteiro...que se deve dar maior valor às pequenas alegrias dos sentidos do que às grandes."

p. 16

"Escutai ainda. O mesmo se dá com o amor. Este pálido amor que conhecemos é também o avesso, o sepulcro embranquecido do amor verdadeiro. O verdadeiro amor é selvagem e triste; é uma palpitação a dois nas trevas..."

D.H. Lawrence in Bachelard, p. 22

"Imita-se com mais ardor uma realidade que antes foi sonhada."

p. 23

"Um valor, no primeiro encontro, não se avalia: admira-se."

p. 36

"Ao sonhar a profundidade, sonhamos a nossa profundidade. Ao sonhar com a virtude secreta das substâncias, sonhamos com o nosso ser secreto. Mas os maiores segredos de nosso ser estão escondidos de nós mesmos, estão no segredo das nossas profundezas."

p. 39

"Ao escrever nos expomos directamente ao excesso."

Henri Michaux in Bachelard, p 62

"A maior luta não é travada contra as forças reais, é travada contra as forças imaginadas. O homem é um drama de símbolos."

p. 69

"(...) depois eu deixava tudo ali, em pousio talvez, visto que um homem é rico em proporção do número de coisas que é capaz de deixar tranquilas."

p. 79

"Para aqueles que não têm casa, a noite é um verdadeiro animal selvagem, não apenas um animal que urra no furacão, mas um animal imenso, que está em toda a parte, como uma ameaça universal."

p. 89


"Tudo se animaliza quando a descida se acentua."


p. 97

"Em suma, os realistas relacionam tudo com a experiência dos dias, esquecendo a experiência das noites."


p. 101

"Os livros não são feitos apenas com o que se sabe e o que se vê. Necessitam de raízes mais profundas."


p. 106


"É preciso que a boa refeição reúna os valores conscientes e os valores inconscientes. Ao lado de substanciais sacrificios à vontade de morder, ela deve comportar um homenagem aos tempos felizes em que engolíamos tudo, de olhos fechados."


p. 121


"Era para se aconhegar
Que ele queria morrer."

Rigueurs, in Bachelard, p. 125

A outra natureza...



"Aproxima-te da luz da vela. Não tenho medo de olhar os mortos. Quando vêm têm direito a permanecer no nosso olhar como as outras coisas."

Rainer M. Rilke, p. 123

sábado, 11 de setembro de 2010

Casa...



"Sentia-se que aquela miséria não lhes afectava as vidas e que havia algo na casa que os protegia dela."


Emile Souvestre in Bachelard, p. 80

É que o «pobre abrigo» mostra-se então claramente como o «primeiro abrigo», como o abrigo que cumpre imediatamente sua função de «abrigar».


"Era um cubículo apenas
Mas ali eu dormia sem ninguém.

Ali eu me abrigava.

Sentia como que um calafrio
Quando ouvia meu alento.
Foi lá que eu conheci
O verdadeiro gosto de mim mesmo.
Foi lá que fui só eu,
Sem nada conceder."

Jules Romains, p.19

quinta-feira, 9 de setembro de 2010


“(...) Pois a verdade é que o nosso temperamento se desenvolve no mesmo passo que os nossos estudos, neles se torna claro, neles se resume. Aprender é tão belo quanto viver. Não temas ser absorvido por espíritos superiores ao teu! Não te quedes a cismar medrosamente na originalidade do teu espírito! Não te arredes de tudo o que é poderoso, com medo que te arraste e afogue as tuas mais singulares qualidades. Tem calma, a originalidade que se perde no correr de um intenso trabalho de inteligência não podia ser senão um defeito, um frágil rebento destinado a perecer; essas qualidades duram apenas tanto quanto a sua doentia e acanhada palidez. E é de saúde que deves viver, pois a saúde se transformará em grandeza.”

Jacobsen (2003, p. 162).

domingo, 5 de setembro de 2010

Terra



Terra, não é isto o que tu queres: surgir invisível em nós? Não é o teu sonho seres um dia invisível? Terra! Invisível? Se a transformação não é a tua missão imperiosa, então qual será? Terra, ó minha querida, eu quero. Oh, acredita, não seriam mais necessárias as tuas primaveras para me conquistar para ti-, só uma, ai! uma única é já demasiada para o sangue. Inominadamente, por ti me decidi, já de longe.
Rainer Maria Rilke

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Para os pais... vou acrescentando...


"A criança é o que nós acreditamos que ela é, reflexo do que queremos que ela seja. Estamos todos indissoluvelmente ligados pelo facto de que outrem é para connosco o que somos para com ele.


 M. Merleau-Ponty, p. 85

"(...) A nossa atitude parece-nos justificada e até imposta pela «natureza», pois esta traz ao mundo a criança em estado de desnudamento e impotência. Mas aqui convém fazer a distinção de Descartes entre «liberdade» e «poder», uma vez que a liberdade é a mesma para todos, mas o poder (os meios de realizá-la) não o é. Isso se aplica à criança: completamente desprovida de «poder» ao nascer, a liberdade não tem sentido para ela, pois não lhe é possível nenhuma autonomia. É esse estado totalmente passageiro que nos parece recomendar uma atitude possessiva. Na realidade, esse desnudamento provisório da criança humana está ligado a seu poder ulterior: é porque será homem que tem tão poucos instintos e está muito mais desaparelhado que um filhote de animal. Ao prolongar além da primeira infância a autoridade assumida, o adulto não está obedecendo à «natureza», está criando uma dependência, fazendo um escravo e inovando."

M. Merleau-Ponty, p.86

"(...) toda a relação humana é irradiante, «extravasa-se» sobre o «entourage»."

M. Merleau-Ponty, p. 91

"Hegel, falando da vinda do filho e do casal, diz que ele é «o ser para si do amor dos dois que cai fora deles». O filho é ao mesmo tempo a expressão do ser a dois de seus pais, e sua negação: é a terceira personagem que só poderá transformar essa relação."

M. Merleau-Ponty, p. 97

"(...) considerando os filhos como prolongamento seu e querendo evitar que passem pelas experiências pelas quais ela passou, a mãe chega, por condutas para eles incompreensíveis, a um resultado muitas vezes exactamente contrário ao desejado por ela; ou - a mãe se transforma em escrava dos filhos, aparentemente abdicando de sua vida pessoal em favor deles; na realidade, essa atitude muitas vezes é um meio de dominá-los (ela faz do sofrimento uma arma e com a resignação tenta provocar atitude afectuosa." 

M. Merleau-Ponty, p. 98/99

"Em geral, não há conduta realmente ajustada que seja possível diante da criança; porque, sendo ainda um bichinho em muitos aspectos, ela dispõe da palavra, instrumento da razão; diante do adulto que tenta repreendê-la, ela age como um bichinho; mas, quando o adulto quer amestrá-la como um bichinho, a criança replica com a palavra."


S. de Beavoir in M. Merleau-Ponty, p. 99 

"(...) Por isso, é ilusório recomendar a uma jovem o casamento e a maternidade para remediar as suas dificuldades: a maternidade, após talvez um breve período de calma, só servirá para acentuar a sua neurose. A maternidade não resolve os problemas pessoais; muitas vezes os agrava: as mães equilibradas eram equilibradas entes de serem mães."

M. Merleau-Ponty, p. 99/100


"A importância extrema do factor psicológico é constituída pela presença da mãe, e é entre três meses e um ano que a ausência desta acarreta consequências graves para o desenvolvimento da criança."

M. Merleau-Ponty, p. 370

"A criança é um organismo situado num meio humano, e não apenas um organismo físico-químico; é capaz de ter condutas não explicáveis apenas pelo funcionamento orgânico; pode antecipar-se: relação prematura como o meio (está adiantada em relação ao estado efectivo do organismo)."

M. Merleau-Ponty, p. 370

" Não é evitando as tensões das situações afectivas que a criança se forma. O apego da criança ao adulto é suscitado pelo próprio adulto: é uma situação recíproca; se é amada, a criança ama. A criança sente na própria vida os contragolpes da afectividade alheia. A criação de uma mãe fantasmagórica não dá a satisfação que daria uma mãe de verdade."

M. Merleau-Ponty, p. 371

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Filme "Sunshine" - Carta de pai para o filho!



You’re entering a new world, a world where you certain will be successful, because you have knowledge.
Our exclusion from the society has giving us an ability to adapt to others, and to sense connections between things which seem diverse.
But if you feel you have power, you are mistaken. If you feel you have the right to put yourself ahead of others because you think you know more then they do, you are wrong.
Never allow yourself to be driven into the sin of conceit. Conceit it’s the greatest of all sins, the source of all other sins.
Never give up your religion, not for God. God is present in all religions, but if your life becomes a struggle for acceptance you always be unhappy. Religion may not be perfect, but it is a well built boat that can stay balanced and carry you to the other shore.
Our life is nothing but a boat adrift on water balanced by permanent uncertainty. About the people that you will judge! Know this! All they do is struggling to find the kind of security, they’re just people like us, and therefore you must not judge them on the basis of appearance or ear saying.
Trust no one, examine all things yourself. Do not join with power. Despise all rank. Do not make ostentation with what is yours. Owning possessions and properties ultimately comes to nothing. Possessions and properties can be consumed by fire, swapped away by flood, taken away by politics.
Do not undertake what you do not know, this causes anxiety which makes you ill.

EXERCISE DISCIPLINE!

Desespero...



Surge de uma corrente vazia de tudo e cheia de nada! O alívio surge do vazio e penetra o interior de uma forma paralela, não se dá conta! É pânico que dói, que mói, que corrói e deixa sem saída aparente quem dele sofre! Mas há-de ir embora, há-de esvaecer para que se transforme em força viva, acrescida da aprendizagem e da experiência. O Verbo estará a escutar o pensamento interno e a enchê-lo da luz que alivia e traz a esperança de quem efectivamente quer ser feliz! Amo o mundo, as pessoas e com eles me confundo! AMO


Ângelo